29/01/2018 - 18:58 - Atualizado em 30/01/2018 - 11:29

​Como identificar um infarto e socorrer a vítima

O infarto do miocárdio tem sintomas visíveis, por isso, as pessoas precisam estar atentas quando o corpo “falar”. Confira as informações e as orientações da campanha Coração Alerta, uma iniciativa da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (SBHCI), em parceria com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC)

Reconhecer os sintomas e buscar ajuda imediatamente
no caso de um infarto ajuda a salvar vidas


O infarto do miocárdio é consequência da obstrução de uma artéria coronária por um coágulo de sangue sobre a placa de gordura que estava em sua parede, impossibilitando assim, que uma quantidade suficiente de sangue chegue até aquela área do músculo cardíaco.

No Brasil, segundo estimativas do Ministério da Saúde, ocorrem cerca de 300 mil infartos por ano, provocando cerca de 90 mil mortes. No mundo, são cerca de 17 milhões de mortes anualmente em decorrência de infarto. Essa porção do músculo cardíaco sofre um processo de morte celular e necrose, podendo levar à morte súbita ou à insuficiência cardíaca que acarreta limitações físicas até a recuperação do quadro clínico.

Apesar de acometer mais os fumantes, as pessoas com sobrepeso e as que vivem um ritmo de vida estressante, além de sedentários que seguem uma alimentação não regrada, a doença não escolhe raça, sexo e muito menos idade. Pode acontecer com qualquer um.

Muitas mortes ou sequelas irreversíveis poderiam ser evitadas se o infartado recebesse os primeiros socorros de maneira adequada e tivesse a sua artéria coronária desobstruída por medicamentos (trombolíticos) ou através da angioplastia coronária o mais rápido possível. Esta última é altamente efetiva e se caracteriza pela desobstrução mecânica através de cateteres.

Sintomas mais comuns

O infarto do miocárdio tem sintomas visíveis, por isso, as pessoas precisam estar atentas quando o corpo “falar”. A primeira pista de que a pessoa pode estar sofrendo um infarto é o grande desconforto causado por uma dor intensa sentida no centro do peito. Outros indícios são:

• Dor espalhada para a mandíbula, pescoço, ombros e braços, principalmente o esquerdo;

• Sensação de desmaio;

• Suor excessivo;

• Náusea e vômitos;

• Falta de ar.

Esse quadro significa que a situação é grave e a melhor coisa a fazer é buscar ajuda. Ao surgirem os primeiros sintomas, a pessoa deve procurar socorro imediatamente. Os cardiologistas usam a máxima “dor acima do umbigo é sinal de perigo”.


Como ajudar alguém que esteja apresentando os sintomas do infarto

Caso você esteja com alguém que apresente esses sintomas por mais de dez minutos, não perca tempo: procure socorro urgente. Enquanto a ajuda médica não vem, é preciso agir e o mais indicado é:

• Tranquilizar e aquecer a vítima;

• salvo orientações médicas, não lhe dê nada de comer ou beber. Desde que a pessoa não apresente dificuldades para engolir e não seja alérgica, dê-lhe um comprimido de aspirina, que ajuda a prevenir coágulos sanguíneos;

• se a vítima desmaiar verifique sua respiração e seu pulso. Na ausência desses sinais vitais, comece imediatamente os procedimentos de recuperação cardiopulmonar e chame o serviço de emergências.

Caso a vítima seja você:

• Tossir com força, profunda e prolongadamente, várias vezes. Não se esqueça de inspirar antes tossir;

• procure ajuda para rápido transporte a um hospital.


Como identificar um infarto sem a conhecida dor no peito

Apesar de um dos sintomas do infarto ser uma forte dor no peito ao longo de 20 minutos — e que se espalha para o braço esquerdo ou ombros — em 20% dos casos pode ocorrer um infarto sem haver a conhecida dor no peito. Uma em cada cinco pessoas pode sofrer infarto sem apresentar a dor torácica.

Como é sabido, reconhecer os sintomas rapidamente é importante para aumentar a chance de uma boa recuperação. Entre os sintomas atípicos estão:

• Cansaço;

• falta de ar (mesmo durante atividades leves ou mesmo em repouso);

• palpitação no peito;

• suor frio excessivo na parte superior do corpo;

• dor no estômago (às vezes com sensação de que ela se espalha pelo pescoço ou mandíbula);

• palidez;

• ânsia de vômito e azia

Mas como saber se um sintoma comum como cansaço ou azia são prenúncio de um infarto ou um desconforto como tantos outros?

“Todos esses sintomas podem ocorrer de forma isolada, mas o mais comum é ocorrer uma combinação entre eles. Uma característica marcante é o início da apresentação, que habitualmente é repentina. A pessoa consegue indicar com exatidão o dia e a hora em que os sintomas começaram”, explica o Dr. Silvio Gioppato, coordenador médico-científico dos serviços de Cardiologia Invasiva do Hospital Vera Cruz de Campinas.



Pessoas mais propensas aos sintomas incomuns

Qualquer um está sujeito a tais sintomas, mas existem grupos que devem ficar mais atento. Um dos principais inclui as mulheres. Nelas, os sintomas costumam se diferenciar daqueles apresentados pelos homens. Em vez de formigamentos no braço e forte dor no peito, o infarto tende a causar fadiga intensa, náuseas e dor no estômago.

“Não raramente, a mulher minimiza a intensidade dos sintomas, bem como os atribui a outras causas, como noite mal dormida ou doença simples e passageira, retardando assim o diagnóstico”, conta Gioppato.

Portadores de diabetes também precisam ficar alertas, pois distúrbios da função sensitiva decorrentes da doença alteram a sensação de dor.

“O diabetes é a principal causa de uma condição clínica conhecida como neuropatia diabética, em que a função dos nervos periféricos está comprometida, alterando ou anulando a percepção de dor. Com isso, o paciente corre maior risco de desenvolver uma apresentação atípica do infarto”, aponta o cardiologista.

Por fim, os idosos, principalmente acima dos 80 anos, também apresentam insensibilidade dos nervos periféricos, o que pode modificar a sensação de sintomas.

Se você se encaixar nessa descrição, procure logo um médico, principalmente se você apresentar outros fatores de risco conhecidos para doenças cardíacas, como colesterol alto, hipertensão arterial e histórico familiar de enfermidades cardiovasculares.


Postado por: Comunicação/Postal Saúde

Fonte: Campanha Coração Alerta – Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (SBHCI) e da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

Link: https://coracaoalerta.com.br/infarto-2/como-identi...

Foto: Stock Photos