21/03/2019 - 15:45

Dia Internacional da Luta Contra a Discriminação Racial - 21 de março

Conheça acontecimentos históricos marcantes na luta contra o racismo

Nelson Mandela: Nelson Mandela: 27 anos preso durante o Apartheid.
Ao sair da cadeia, tornou-se presidente da África do Sul.

A história da humanidade é marcada por incontáveis episódios de violência e todo tipo de preconceito contra a população negra. Foram mais de 400 anos de escravização, afinal. Reduzindo a um recorte mais recente, ainda foram muitos acontecimentos relevantes que motivaram a criação do Dia Internacional de Luta Contra a Discriminação Racial. aaaaaa

A Organização da Nações Unidas (ONU) instituiu a data em homenagem às vítimas do Massacre de Sharperville, na África do Sul, em 1960. Na ocasião, cerca de 20 mil pessoas faziam uma manifestação contra a Lei do Passe, que restringia o acesso de negros a determinados lugares. Apesar do caráter pacífico do evento, a polícia local reprimiu violentamente os presentes, resultando em 69 pessoas mortas e 189 feridas.

Massacre de Sharperville, na África do Sul (1960).

A Lei do Passe, inclusive, foi criada durante o Apartheid. Este foi um sistema institucionalizado pelo governo sul-africano que negava direitos políticos, econômicos e sociais aos negros, que durou de 1948 até 1994. O nome mais emblemático da luta pela igualdade no país Nelson Mandela, líder político que se juntou a movimentos estudantis e passou a combater a segregação. Ele passou 27 anos preso, mas, depois de reconquistar a liberdade, se tornou o primeiro presidente negro da África do Sul. Ele ganhou um Prêmio Nobel da Paz pela sua trajetória, em 1993.

Nos Estados Unidos, onde reflexos graves da cultura racista de alguns estados existem até hoje, a guerra contra o preconceito também começou lá atrás. Rosa Parks foi uma das grandes personagens do século XX nos país, depois de ter recusado ceder seu lugar no ônibus para um homem branco, em 1955. A cidade de Montgomery, onde ela morava, tinha leis segregacionistas e estipulava a separação do público do transporte público por etnia.

Rosa foi presa e solta no dia seguinte, mas virou um símbolo de resistência. Passou a conviver com ameaças de morte e teve dificuldades para encontrar emprego, mas assumiu o papel de uma das mulheres mais relevantes nas reivindicações por igualdade. O evento motivou o Boicote ao Ônibus de Montgomery, manifestação política e social que resultou em grande prejuízo para os cofres públicos. Foram 381 dias de boicote e o movimento só acabou quando a segregação racial no estado do Alabama foi considerada inconstitucional.

Rosa Parks e Martin Luther King Jr., ícones da
luta contra o racismo nos EUA.

Outras figuras importantíssimas na luta racial norte-americana foram Martin Luther King Jr. e Malcolm X. Ambos dedicaram a vida ao combate ao racismo - inclusive participaram das ações decorrentes do Boicote de Montgomery. Malcolm X tinha um posicionamento mais radical, que tendia ao enfrentamento direto para conquistar os direitos que eram negados aos negros. Já Martin Luther King, que também era pastor da igreja batista, defendia uma ação baseada no diálogo - ele até ganhou um Nobel da Paz, em 1964. O pacifismo dele nas práticas de desobediência civil, no entanto, revoltou grupos extremistas racistas em todo o país por quase duas décadas.

Malcolm X foi assassinado em 1965, com 39 anos. Martin Luther King também foi morto, em 1968, também aos 39 anos de idade.

Martin Luther King jr. e Malcolm X: apesar de ideologias
diferentes, buscavam o fim do preconceito racial.

No Brasil, a luta contra a discriminação sobrevive. Atualmente, vozes muito marcantes conseguem fazer frente ao preconceito racial, como a filósofa Djamila Ribeiro, a empreendedora Adriana Barbosa (vídeo abaixo), o ex-ministro Joaquim Barbosa e artistas como Emicida, Lázaro Ramos, Taís Araújo, Elza Soares e Gilberto Gil, entre muitos outros.

A luta continua

Apesar dos esforços e das várias conquistas ao longo das últimas décadas, o racismo ainda está muito presente no nosso dia a dia. O segredo é não abaixar a cabeça e continuar reivindicando uma sociedade mais igualitária, até que pleitos como esse não sejam mais necessários. Como dizia Nelson Mandela, essa é uma batalha que não diz respeito apenas aos negros, mas a todos que desejam uma sociedade mais justa.

“Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar”, Nelson Mandela.


Fotos: Divulgação/Internet