30/10/2020 - 17:41 - Atualizado em 30/10/2020 - 19:30

​Novembro Azul: Câncer de próstata tem cura. A prevenção é o melhor remédio

Saiba mais sobre o assunto e fique por dentro dos avanços científicos que permitem diagnósticos cada vez mais precisos, bem como o uso de medicamentos e tratamentos menos invasivos


O câncer de próstata está em primeiro lugar na lista de casos novos de câncer diagnosticados em homens, sendo a segunda causa morte (28,6%) entre a população masculina que desenvolve neoplasias malignas. No entanto, assim como ocorre com o câncer de mama nas mulheres, a maior chance de cura da doença está no diagnóstico precoce. Iniciada em 2003 na Austrália, a campanha Novembro Azul já conta com a adesão de mais de 20 países, devido à alta incidência da doença em todo o mundo.

Saiba mais sobre o assunto e acompanhe os recentes avanços científicos no diagnóstico e tratamento da doença:

Exame de toque: é preciso derrubar o preconceito

Existe entre os homens uma resistência muito maior em cuidar da saúde, especialmente quando se trata de questões ligadas ao órgão sexual. Em relação ao câncer de próstata, o desafio é acabar com o preconceito envolvendo o exame de toque, pois este é o maior entrave à prevenção.

A doença tem sintomas iniciais silenciosos e, por isso, muitos casos já são detectados em um estágio avançado da doença. Assim, a única forma de identificá-la precocemente é por meio de dois exames: toque retal e PSA (Antígeno Prostático Específico).

Importância da prevenção para o diagnóstico precoce

Como vimos, a maior arma para conter o aumento da incidência da doença é a prevenção, além da mudanças de hábitos, já que a obesidade está entre os fatores de risco para o câncer de próstata.

Recomendação da Sociedade Brasileira de Urologia

Em seu site, a Sociedade Brasileira de Urologia mantém sua recomendação de que os homens, a partir de 50 anos e mesmo sem apresentar sintomas, devem procurar um profissional especializado, para avaliação individualizada tendo como objetivo o diagnóstico precoce do câncer de próstata.

Já os homens que integrarem o grupo de risco (raça negra ou com parentes de primeiro grau com câncer de próstata) devem começar seus exames mais precocemente, a partir dos 45 anos.

Após os 75 anos, somente homens com perspectiva de vida maior do que 10 anos poderão fazer essa avaliação. O rastreamento deverá ser realizado após ampla discussão de riscos e potenciais benefícios, em decisão compartilhada com o paciente.


Avanços científicos

Felizmente, os avanços tecnológicos na medicina vêm impactando também os estudos sobre o câncer de próstata, trazendo novas formas de diagnóstico cada vez mais preciso, medicamentos e tratamentos menos invasivos.

  • Exames diagnósticos

Exemplo disso é o recurso S-FusionTM. A tecnologia integra imagens da ultrassonografia com dados obtidos por outros métodos.

Outro método é o PET PSMA (antígeno de membrana específico da próstata), um exame PET Scan. Essa tecnologia, extremamente sensível e específica, permite determinar o local do tumor e também se o câncer já se espalhou para outros órgãos.

Por fim, há os testes genéticos, ainda em desenvolvimento. A exemplo do que já acontece com a investigação dos genes BRCA 1 e BRCA 2 para o câncer de mama, a identificação de alterações genéticas poderiam indicar a predisposição ao câncer de próstata,

Isso auxilia aqueles que já apresentam um histórico familiar para a doença a tomar medidas preventivas.

  • Medicamentos

No campo dos tratamentos e medicamentos, também são promissores os avanços da ciência envolvendo terapia gênica e vacinas.

Em 2018, os imunologistas James P. Allison, dos Estados Unidos, e Tasuku Honjo, do Japão, foram premiados com o Nobel de Medicina por sua pesquisa em busca de uma terapia que inibisse a regulação imune negativa, ou seja, desativasse o freio do sistema imunológico, permitindo que as células T ataquem células cancerígenas.


Outro estudo dá conta de estimular a produção de linfócitos T específicos para um determinado tumor por meio de células-tronco geneticamente modificadas.

Há ainda uma pesquisa para criação de uma vacina usando as células tumorais do próprio paciente, desenvolvida no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas.

Por fim, há um medicamento inédito, já aprovado pelo FDA (Food and Drug Administration), para o combate de diversos tipos de câncer, com base na genética do tumor, independentemente de sua localização.


Os benefícios da tecnologia na saúde não param por aí. No próximo tópico, você confere os avanços ligados às cirurgias.

  • Cirurgias menos invasivas

Em relação ao tratamento cirúrgico, não podemos deixar de mencionar as inovações da robótica, permitindo procedimentos cada vez menos invasivos por meio do uso da tecnologia em cirurgias.

Já muito utilizadas em todas as áreas da saúde, a videolaparoscopia e a cirurgia robótica são realidades no tratamento do câncer de próstata nos grandes hospitais do Brasil.

Ambas permitem uma intervenção minimamente invasiva, com menos trauma e mais conforto para o paciente, evitam grandes incisões e provocam menos dor — além de reduzirem os riscos de complicações e facilitarem a recuperação.

As vantagens da cirurgia robótica incluem ainda uma maior segurança para médico e o paciente, com o aumento da precisão e eliminação do tremor humano, alcançando locais que as mãos não conseguiriam chegar — especialmente em procedimentos complexos, com espaços limitados e com detalhamento extremo.


Fontes:
Medicalway: Novembro Azul: Veja os avanços nos cuidados da saúde do homem
Sociedade Brasileira de Urologia : Aconselhamento para o diagnóstico precoce do câncer de próstata
Fotos: 123 RF