10/10/2017 - 16:20 - Atualizado em 10/10/2017 - 16:13

​10 de outubro — Dia Mundial da Saúde Mental

Aumento dos casos de ansiedade e depressão preocupa Organização Mundial de Saúde


Além de ser o país com maior prevalência de depressão
na América Latina, o Brasil é recordista mundial de casos de ansiedade


Mais de 320 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de depressão. Em 10 anos, de 2005 a 2015, esse número cresceu 18,4%. A prevalência do transtorno na população mundial é de 4,4%. No Brasil — país com maior prevalência de depressão da América Latina e o segundo com maior prevalência nas Américas — o problema atinge 11,5 milhões de pessoas. (5,9%). Os números constam do relatório global divulgado pela OMS no início deste ano.

Segundo o relatório, o país com menor prevalência de depressão nas Américas é a Guatemala, onde 3,7% da população tem o transtorno. Já o país com menor prevalência de depressão no mundo, segundo o relatório, são as Ilhas Salomão, na Oceania, onde a depressão atinge 2,9% da população.

Além dos Estados Unidos, os países que têm prevalência de depressão maior do que o Brasil são Austrália (5,9%), Estônia (5,9%) e Ucrânia (6,3%).

Os números são expressivos e o assunto merece atenção especial dos governos e da sociedade, considerando que a depressão é uma das principais doenças incapacitantes do século XXI e um dos fatores de maior risco de suicídio.

Em 2015, o número de pessoas com transtornos de ansiedade no mundo aumentou 14,9% com relação a 2005, alcançando 264 milhões de pessoas (3,6% da população mundial). O Brasil é recordista mundial em prevalência de transtornos de ansiedade: 9,3% da população (18, 6 milhões) sofrem com o problema.

De acordo com especialistas, a depressão e a ansiedade abrem portas para outras doenças. Isso porque há uma relação entre a depressão e a saúde física. As doenças cardiovasculares, por exemplo, podem levar à depressão e vice e versa; as mulheres são mais afetadas que o homem.

Tipos e sintomas

Um episódio depressivo pode ser categorizado como leve, moderado ou grave, a depender da intensidade dos sintomas. Durante um episódio depressivo grave, é improvável que a pessoa afetada possa continuar com atividades sociais, de trabalho ou domésticas. Uma pessoa com depressão pode apresentar sintomas de ansiedade, distúrbios do sono e do apetite, bem como sentimentos de culpa e de baixa autoestima e falta de concentração, entre outros.

A doença resulta de uma complexa interação de fatores sociais, psicológicos e biológicos. Pessoas que passaram por eventos adversos durante a vida (desemprego, luto, separação, trauma psicológico) são mais propensas a desenvolver depressão. O hábito de investir na saúde emocional, cultivando bons pensamentos, bons sentimentos e estimulando a autoestima saudável contribui para prevenir os distúrbios.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico impreciso e a falta de recursos são os principais obstáculos ao tratamento. Outro fator negativo é o estigma da doença, associada a transtornos mentais.

Existem tratamentos eficazes para depressão moderada e grave. Profissionais de saúde podem oferecer tratamentos psicológicos, como ativação comportamental, terapia cognitivo-comportamental e psicoterapia interpessoal ou medicamentos antidepressivos. Estes últimos podem ser eficazes no caso de depressão moderada-grave, mas atenção: não são a primeira linha de tratamento para os casos mais brandos, não devem ser usados para tratar depressão em crianças e tampouco são a primeira linha de tratamento para adolescentes. É preciso utilizá-los com cautela.

Programa da OMS

A depressão é uma das condições prioritárias cobertas pelo Mental Health Gap Action Programme (mhGAP) da Organização Mundial da Saúde (OMS). O programa visa a ajudar os países a aumentar os serviços prestados às pessoas com transtornos mentais, neurológicos e de uso de substâncias, por meio de cuidados providos por profissionais de saúde que não são especialistas em saúde mental.

A iniciativa defende que, com cuidados adequados, assistência psicossocial e medicação, dezenas de milhões de pessoas com transtornos mentais, incluindo depressão, poderiam começar a levar uma vida normal — mesmo quando os recursos são escassos.

A data – O Dia Mundial da Saúde Mental foi criado em 1992 pela Federação Mundial de Saúde Mental (World Federation for Mental Health) com o objetivo de chamar a atenção pública para a questão da saúde mental global, e identificá-la como uma causa comum a todos os povos, ultrapassando barreiras nacionais, culturais, políticos ou socioeconômicas. Combater o preconceito e o estigma à volta da saúde psicológica é outro dos objetivos do dia.


Fontes

Organização das Nações Unidas no Brasil: https://nacoesunidas.org/oms-registra-aumento-de-casos-de-depressao-em-todo-o-mundo-no-brasil-sao-115-milhoes-de-pessoas/

Site G1: https://g1.globo.com/bemestar/noticia/depressao-cresce-no-mundo-segundo-oms-brasil-tem-maior-prevalencia-da-america-latina.ghtml