04/12/2017 - 16:15 - Atualizado em 05/12/2017 - 12:00

Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres — 6 de dezembro

Estudo divulgado em março deste ano revela que, entre as mulheres vítimas de violência no Brasil em 2016, 52% se calaram; apenas 11% procuraram uma delegacia da mulher e 13% preferiram o auxílio da família


Casos de violência contra a mulher devem ser denunciados
pelo número 180; a ligação é gratuita

O Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres, lembrado em 6 de dezembro, surgiu como reação a um ato de violência que chocou o mundo no dia 6 de dezembro de 1989, no Canadá. Naquela data, Marc Lepine, um jovem canadense de 25 anos, invadiu uma sala de aula da Escola Politécnica de Montreal e ordenou que todos os homens abandonassem o local, para que pudesse assassinar todas as mulheres daquela turma. Em seguida, suicidou-se.

Uma carta deixada pelo rapaz explica os motivos que o levaram a cometer a chacina: ele afirmou não admitir que mulheres frequentassem o curso de Engenharia, uma área tradicionalmente masculina. Comovidos e abalados com o caso, um grupo de homens canadenses criou a Campanha do Laço Branco (White Ribbin Campaign), um movimento que visa fomentar a igualdade de gêneros e uma nova visão sobre a masculinidade. Assim, a data surgiu como um “fruto” da Campanha Laço Branco, que no Brasil é coordenada pela Rede de Homens pela Equidade de Gênero (RHEG).

Estatísticas Pesquisa de iniciativa do Fórum Brasileiro de Segurança, realizada pela Data Folha e divulgada em março deste ano, em meio às comemorações do Dia Internacional da Mulher, revela que 22% das mulheres brasileiras (um total de 12 milhões), sofreram ofensa verbal no ano passado e 10% foram vítimas de violência física. Além disso, 8% sofreram ofensa sexual, 4% receberam ameaça com faca ou arma de fogo, 3% (ou 1,4 milhão) de mulheres sofreram espancamento ou tentativa de estrangulamento e 1% levou pelo menos um tiro.

O estudo mostrou ainda que, entre as mulheres que sofreram violência, 52% se calaram. Apenas 11% procuraram uma delegacia da mulher e 13% preferiram o auxílio da família. O agressor, na maior parte das vezes, é um conhecido (61% dos casos). Em 19% das vezes, eram companheiros atuais das vítimas e em 16% eram ex-companheiros. As agressões mais graves ocorreram dentro da casa das vítimas (43% dos casos) e 39% nas ruas.

Ligue 180 — Para receber denúncias de casos de violência contra a mulher a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM) disponibiliza para a população o número 180, com ligação gratuita. Criado em 2005, o serviço transformou-se em disque-denúncia a partir de março de 2014, com capacidade de envio de denúncias para a Segurança Pública e cópia para o Ministério Público de cada estado.

Em 2015 (números disponíveis no site da Secretaria), foram realizados 555.63 mil atendimentos pelo número 180. Entre os 2.921 relatos de violência sexual, 84,12% estão relacionados ao estupro. país (a ligação é gratuita).

O Ligue 180 tornou-se referência dos serviços que integram a rede nacional de enfrentamento à violência contra a mulher, sob amparo da Lei Maria da Penha. É também base privilegiada de dados para a formulação das políticas do governo federal nessa área.


O silêncio das vítimas mascara as estatísticas sobre
casos de violência contra as mulheres (Fotos: Sotck Photos)

Internacional O Ligue 180 funciona também a mulheres brasileiras e comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) no exterior. O serviço entrou em operação primeiramente em Portugal, Espanha e Itália. Atualmente, a central de atendimento presta serviços a brasileiras que moram na Argentina, Bélgica, Estados Unidos, França, Guiana Francesa, Holanda, Inglaterra, Luxemburgo, Noruega, Paraguai, Suíça, Uruguai e Venezuela. Em cada um desses países, a denúncia é feita em telefones específicos. O serviço preserva o anonimato e orienta as mulheres sobre seus direitos e sobre a legislação vigente, encaminhando-as para serviços especializados, quando necessário.

Confira os telefones de emergência para casos de violência de gênero contra brasileiras e comunidade LGBT no exterior:

Os dados abaixo são do Ministério das Relações Exteriores. Saiba mais: Emergências no Exterior

Argentina, ligar para 08009995500 discar 1 e informar o número 61-3799.0180

Bélgica, ligar para 080010055 discar 1 e informar o número 61-3799.0180

Espanha, ligue para 900 990 055, discar opção 1 e, em seguida, informar (em Português) o número 61-3799.0180

EUA (São Francisco), ligar para 18007455521 discar 1 e informar o número 61-3799.0180

França, ligar para 0800990055 discar 1 e informar o número 61-3799.0180

Guiana Francesa, ligar para 0800990055 discar 1 e informar o número 61-3799.0180

Holanda, ligar para 08000220655 discar 1 e informar o número 61-3799.0180

Inglaterra, ligar para 0800890055 discar 1 e informar o número 61-3799.0180

Itália, ligar para 800 172 211, discar 1 e, depois, informar (em Português) o número 61-3799.0180

Luxemburgo, ligar para 080020055 discar 1 e informar o número 61-3799.0180

Noruega, ligar para 80019550 discar 1 e informar o número 61-3799.0180

Paraguai, ligar para 00855800 discar 1 e informar o número 61-3799.0180

Portugal, ligar para 800 800 550, discar 1 e informar o número 61-3799.0180

Suíça, ligar para 0800555251 discar 1 e informar o número 61-3799.0180

Uruguai, ligar para 000455 discar 1 e informar o número 61-3799.0180

Venezuela, ligar para 08001001550 discar 1 e informar o número 61-3799.0180



Por: Comunicação/Postal Saúde
Fontes:

Secretaria de Políticas para as Mulheres
http://www.spm.gov.br/ligue-180

Estadão online
http://emais.estadao.com.br/blogs/nana-soares/em-n...

Laço Branco Brasil
http://lacobrancobrasil.blogspot.com.br/p/nossa-hi....

Ministério das Relações Exteriores
http://www.portalconsular.itamaraty.gov.br/emergencias