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Campanha do Ministério da Saúde: contra a Aids “Prevenir é sempre a melhor escolha”

Em 2020, foram notificados 29,9 mil casos de Aids no Brasil, uma queda de 20,70% em comparação com 2019, que registrou 37,7 mil

2 de dezembro de 2021 - Atualizado em 2 de dezembro de 2021

 

“Prevenir é sempre a melhor escolha”. É com esse lema que o Ministério da Saúde lançou nesta quarta-feira (1º), uma campanha para conscientizar os brasileiros sobre a importância de se prevenir contra o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), o vírus da Aids. No Brasil, 694 mil pessoas estão em tratamento para a doença e, só em 2021, 45 mil novos pacientes iniciaram a terapia antirretroviral. Com isso, o tratamento já chega a 81% das pessoas diagnosticadas com HIV em todo o país.

Desse total, 95% já não transmitem o HIV por via sexual, por terem atingido carga viral suprimida, graças ao tratamento ofertado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Essa marca ultrapassa a meta das Nações Unidas, que é de 90%. “Nós temos que lembrar que um dos primeiros países a terem tratamento disponível para Aids foi o Brasil. Ele abriu portas para que todos os outros país também lutassem para terem tratamento”, contou a representante da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS) no Brasil, Socorro Gross.

A doença continua a registrar óbitos em todo o mundo. Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), divulgados pelo Boletim Epidemiológico de HIV/Aids de 2021, mostram que em 2020 foram notificados 29.917 casos de Aids no país contra 37.731 em 2019, uma queda de 20,7%. Segundo especialistas, ainda que se observe um arrefecimento, a situação ainda preocupa visto que os registros de óbitos pela doença continuam. Em 2020, foram registrados 10.417 óbitos por Aids contra 10.687 no ano anterior, uma queda de apenas 2,52%.

Segundo o diretor do Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis, Gerson Pereira, que durante o evento de lançamento da campanha apresentou o cenário epidemiológico da doença, o Brasil tem atuado diretamente na prevenção, no diagnóstico e no tratamento para a doença. “Eu acho que a campanha tem muito a ver com estimular a detecção dos casos em pessoas entre 20 e 34 anos. E o que a gente vê é uma redução nos casos em mulheres e um aumento dos casos em homens, principalmente, entre os mais jovens. Por isso, o estimulo é prevenir-se sempre”, contou.

Estatísticas

Em toda a série histórica, o Brasil registrou 381.793 casos notificados de HIV. Desses, 69,8% foram registrados em pessoas do sexo masculino e 30,2% do sexo feminino. Mais de 50% atingem homens e mulheres na faixa etária entre 20 e 34 anos. Além disso, 7,8 mil casos de HIV em gestantes foram notificados, o que representa uma taxa de detecção de 2,7 casos para cada mil nascidos vivos, um aumento de 30,3% na taxa de detecção em 10 anos. Ao todo, o País registrou 32.701 casos de HIV em 2020 contra 43.312 em 2019, uma redução de 10.611 casos.

Vale lembrar que a pessoa que vive com o HIV pode não desenvolver a Aids caso realize o tratamento adequado. O enfrentamento à doença não parou mesmo durante a pandemia da Covid-19. O Ministério da Saúde ampliou o tempo de dispensa de medicamentos antirretrovirais de 30 para 60 ou até 90 dias, estratégia para garantir a manutenção do cuidado das pessoas vivendo com o HIV/Aids. A pasta também enviou aos estados e o Distrito Federal mais de 20,8 milhões de testes rápidos nos anos de 2020 e 2021. Só este ano, foram 12 milhões, um aumento de 37% em comparação com o ano anterior.

“Desde o início da pandemia, a gente sabia da importância de se expandir o prazo da prescrição de medicamentos para que pacientes imunocomprometidos tivessem sua medicação em casa por mais tempo e não se expusessem nas unidades de saúde. A Portaria que instituiu essa medida foi publicada rapidamente e, hoje, vemos os resultados dessa política. Nós garantimos tratamento a todas as pessoas que precisam do tratamento retroviral. Isso demonstra o compromisso do Governo e do Ministério em dar qualidade de vida à população”, contou o secretário de Vigilância em Saúde, Arnaldo de Medeiros.

Como “prevenir é sempre a melhor escolha”, o Governo Federal expandiu as estratégias de prevenção e enviou quase 370 milhões de preservativos aos entes federativos. Desses, 360 milhões foram de preservativos masculinos e 9,4 milhões femininos.

A Aids

A Aids é a doença causada pela infecção do vírus HIV que ataca o sistema imunológico, responsável por defender o organismo de doenças. O vírus é capaz de alterar o DNA de uma das células do corpo humano e fazer cópias de si mesmo. Ao se multiplicar, rompe os linfócitos em busca de outros para continuar a infecção. Em outubro de 1988, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização Mundial de Saúde (OMS) instituíram o dia 1º de dezembro como o Dia Mundial de Luta contra a Aids.

Como ocorre a transmissão?

O vírus HIV pode ser transmitido por meio do sexo vaginal, anal ou oral sem camisinha, uso de seringa por mais de uma pessoa, por transfusão de sangue contaminado e uso de instrumentos que furam ou cortam não esterilizados. É possível ainda a transmissão do vírus durante a gravidez, no parto e na amamentação.

É importante quebrar mitos e tabus, esclarecendo que as pessoas que vivem com HIV não transmitem a doença das seguintes formas: masturbação a dois; beijo no rosto ou na boca; suor e lágrima; picada de inseto; aperto de mão ou abraço; sabonete/toalha/lençóis; talheres e copos; assento de ônibus; piscina; banheiro; doação de sangue; pelo ar.

Por isso, como o próprio lema da campanha diz, “prevenir é sempre a melhor escolha”. O uso da camisinha é essencial para proteger-se contra o vírus e contra a doença.

 


Fonte: Ministério da Saúde/ Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis
Foto: Dreamstime