Interoperabilidade: presidente da Postal Saúde conduz debate sobre o futuro da gestão de dados no setor de saúde

A interoperabilidade de dados na saúde foi o tema central do debate conduzido por Eli de Melo Jr., Diretor-Presidente da Postal Saúde e vice-presidente da Unidas. A oficina, intitulada “Interoperabilidade, dados e transparência: A regulação do futuro”, ocorreu durante o 17º Seminário Unidas, em Brasília, e reuniu especialistas para discutir os avanços e desafios da integração de sistemas no Brasil. O painel contou com a participação de nomes importantes como Carla de Figueiredo Soares, Diretora de Gestão interina da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS); Cesar Nomura, presidente do Conselho de Administração da Abramed; e Marco Antonio Bego, diretor executivo do INRAD e do InovaHC.
 
Na condição de mediador, Eli de Melo Jr provocou: “Quando falamos de saúde o amanhã é hoje. Precisamos observar o que ocorre além do Brasil, quem quer desenvolver na área da saúde tem de olhar para o mundo. Então fica a reflexão: o que temos feito para contribuir com as nossas informações internas? Se fizemos pouco, somos parte do problema que persiste. Temos carteiras e condições para agir de modo diferente; usar esses dados para melhorar o acompanhamento do beneficiário, estabelecer jornadas de cuidado e gerar economia e aprimorar os mecanismos de gestão”.
 
Marco Antonio Bego, do InovaHC, destacou a complexidade da implementação. O executivo apresentou um projeto de interoperabilidade na saúde, visando a troca segura de dados entre diferentes atores do ecossistema (hospitais, clínicas etc.). O objetivo é melhorar o acesso à informação do paciente, agilizar decisões médicas, reduzir redundâncias e/ou erros e otimizar processos. A iniciativa surgiu da necessidade de conectar dados de teleconsultas em áreas remotas. A solução utiliza a infraestrutura do sistema financeiro para garantir segurança e eficiência na troca de dados. O projeto busca solucionar problemas de governança e custos da interoperabilidade, oferecendo benefícios para pacientes, profissionais de saúde e o sistema como um todo. “Estamos desenvolvendo um sistema ao mesmo tempo que aprendemos com ele e com o setor de saúde”, afirmou.
 
Para a Abramed, a pandemia serviu como um grande estudo de caso, demonstrando como o acesso a dados integrados foi fundamental para a tomada de decisões na saúde suplementar. Essa visão foi corroborada por Carla de Figueiredo Soares, da ANS, que ressaltou o potencial desses dados para a formulação de “políticas públicas e regulatórias mais eficazes e assertivas para o país”. De forma didática, a interoperabilidade funciona como um “tradutor universal” para os sistemas de saúde. Ela estabelece um padrão, uma linguagem comum, que permite a diferentes tecnologias trocarem informações de forma segura e eficiente. Na prática, isso significa que o histórico de um paciente no hospital ‘A’ pode ser acessado e compreendido pelo médico da clínica ‘B’, por exemplo, garantindo a continuidade e a qualidade do cuidado do paciente.
 
No Brasil, a espinha dorsal desse projeto é coordenada pelo Ministério da Saúde com o suporte da ANS. O avanço mais recente e significativo, divulgado pela pasta e pela ANS, é a integração dos dados da saúde suplementar. Um dos objetivos é criar um histórico de saúde unificado para cada cidadão, independentemente de o atendimento ter sido realizado na rede pública ou privada. Apesar do progresso, o caminho ainda apresenta desafios ligados a padronização das informações; adesão das instituições de saúde, públicas e privadas; e a segurança e a privacidade dos dados cujo rigor de proteção dos dados tão sensíveis é uma prioridade máxima, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Ao final do debate, Eli de Melo Jr., destacou a relevância da interoperabilidade para as operadoras.

A interoperabilidade é mais do que uma evolução tecnológica. É uma revolução na gestão da saúde. Para nós, operadoras, ter acesso a um histórico de saúde unificado e padronizado do paciente significa poder atuar de forma mais preditiva e proativa. Deixa de ser um mar de informações desconexas para se tornar uma fonte rica de dados estruturados, que nos permitirá otimizar recursos, personalizar o cuidado, reduzir fraudes e, o mais importante, entregar mais valor e saúde para nossos beneficiários. É a base para uma gestão mais inteligente, eficiente e sustentável no longo prazo”. 

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